Cuidado com quem você beija

De acordo com Jaime Rocha, infectologista do laboratório Exame, alguns cuidados pessoais podem evitar a contaminação.

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Conhecida popularmente como a doença do beijo, a mononucleose infecciosa é causada pelo vírus Epstein-Barr, e é altamente contagiosa, podendo ser transmitida por transfusão de sangue, contato sexual e, principalmente, pela saliva. Além disso, a doença pode evoluir para meningite, anemia hemolítica e outras enfermidades mais sérias.

De acordo com Jaime Rocha, infectologista do laboratório Exame, alguns cuidados pessoais podem evitar a contaminação. “Os principais fatores para a proliferação da mononucleose são as más condições de higiene pessoal e a grande concentração de pessoas em um pequeno espaço, que propicia aglomeração e facilita a dispersão do vírus”, afirma. O problema de ser contaminado é que os males duram, em média, três semanas e os principais sintomas são febre, dor de garganta, mal estar, fadiga, aumento de gânglios (com dores), de fígado e baço. Cerca de 10% dos casos apresentam erupção cutânea, deixando a pele avermelhada e com aspecto de lixa.

O infectologista lembra que o período de incubação do vírus pode chegar a 30 dias e que não existe tratamento específico para a doença, além de a prevenção ser extremamente complicada. “Até o momento, não existe nenhuma vacina contra a Doença do Beijo. Geralmente, a virose não é fatal, mas podem ocorrer complicações como meningite, encefalite, anemia hemolítica e, em casos mais graves, ruptura do baço”, explica.

O diagnóstico nem sempre é fácil porque outras viroses também apresentam quadro clínico semelhante. No momento da análise, o médico tem que se basear na história epidemiológica, quadro clínico e em exames complementares sugestivos. “Exames laboratoriais podem apresentar presença de linfócitos atípicos e orientar ao médico a que deve tratar”, diz o médico.

Já para os testes específicos voltados à mononucleose, existem as pesquisas de anticorpos heterófilos (monoteste), que podem apresentar resultados falso-positivos e falso-negativos (na presença de outras patologias), e a sorologia para pesquisa de anticorpos IgG e IgM para Epstein-Barr. Este último apresenta maior sensibilidade e especificidade, podendo indicar a presença de doença ativa ou passada. “Atualmente, já está disponível a pesquisa do próprio vírus pela técnica de PCR em alguns materiais, como sangue e secreções respiratórias, o que possibilita um diagnóstico mais específico”, finaliza Rocha.